Um homem, tendo que fazer uma longa viagem, preparou-se como melhor convinha. Teria um longo caminho pela frente, quase dez anos, e, durante esse tempo, enfrentaria muito sol, muita chuva, muito frio, enfim, inúmeros obstáculos. Nada disto, porém, poderia detê-lo. Para sua caminhada, preparou o que julgava necessário. E tudo era novo. Pensou em seu destino e em tudo de valor que acreditava possuir. Abriu sua mochila e nela colocou calçado, roupa, chapéu, achando que, se não os usasse no dia-a-dia, ao final, teria tudo ao seu dispor quando quisesse. Colocou-a nas costas e partiu. Ao longo da viagem, depois de passar por várias trilhas, viu-se cansado e não pôde mais continuar. Estava exausto. O peso nas costas, com seu tesouro, já lhe era insuportável. Seus pés estavam rachados e sangrando, sentia o corpo surrado e frágil, a cabeça ferida e o pensamento sem direção. Olhou para os pés e para o calçado. O sapato continuava novo, mas seus pés, acabados. Tomou sua roupa nova e tocou o seu corpo velho e dolorido. Levantou o chapéu, novo, e tentou colocá-lo na cabeça inchada.Faltava muito para chegar ao topo, e tudo o que possuía – novo e sem uso –, tal como preservou, de nada lhe servia agora. Pensou em abandonar tudo. Já havia abandonado no princípio. Em silêncio e pela primeira vez, concluiu que, se tivesse calçado o antigo sapato, este estaria velho, mas os pés, apenas doloridos. Se tivesse se vestido, sua roupa estaria rota, mas seu corpo não estaria cansado e sujo. Se tivesse usado o seu chapéu, ele estaria com suas abas caídas, mas sa cabeça não estaria estourando de dor. Refletiu e reconheceu que ali estavam os seus verdadeiros amigos, para servi-lo a todo instante, porém, tentando somente preservá-los, não permitiu que eles participassem de sua vida. Por isso, lembre-se: seus amigos não querem estar somente em uma mochila – como o calçado, a roupa, o chapéu – como um fardo. Querem é estar com você em toda a sua jornada, mesmo que cheguem desgastados, sujos, cansados, porém certos de que, de algum modo, aliviaram a sua dor, seu sacrifício, participaram de sua alegria e chegaram ao fim com você.
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quinta-feira, 23 de abril de 2009
terça-feira, 7 de abril de 2009
ENCONTRO COM A MORTE

Há uma lenda antiga sobre um rico comerciante de Bagdá que enviou seu criado ao mercado. Enquanto tentava abrir caminho em meio à multidão, alguém o empurrou. Ao virar-se, viu uma mulher trajando uma longa capa preta e a reconheceu como sendo a Morte.
O criado voltou correndo para a casa do patrão. Com voz trêmula, relatou seu encontro com a Morte, dizendo que ela o havia encarado e feito um gesto ameaçador. O criado suplicou ao patrão que lhe emprestasse um cavalo para que pudesse fugir para Samarra e esconder-se da Morte. O patrão concordou, e o criado partiu a galope.Mais tarde, o comerciante foi ao mercado e viu a Morte rondando o local. O comerciante perguntou:
– Por que você fez um gesto ameaçador para o meu criado e o assustou?
- Eu não fiz nenhum gesto ameaçador – respondeu a morte. Apenas fiquei surpresa quando o encontrei em Bagdá, porque tenho um encontro marcado com ele esta noite em Samarra!
A morte física é certa. Não sabemos o dia, a hora, nem como irá acontecer. Não adianta fugir, nem disfarçar. Mas há uma saída, dita por quem nos criou e formou: Declarou-lhe Jesus: “Eu sou a ressurreição e a vida, quem crê em mim, ainda que morra viverá; e todo aquele que vive, e crê em mim, jamais morrerá. Crês isto?” (Jo 11, 25-26).
– E você crê?
Para a pessoa de fé, o que parece morte se torna mais vida, vai para a “Casa do Pai”. Daí a expressão tão bela, conhecida desde o início do cristianismo: “Adormecer em Cristo”. São Paulo nos diz: “Se cremos que Jesus morreu e ressuscitou, assim também os que morrem em Jesus, Deus há de levá-los em sua companhia” (1Ts 4,14).
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segunda-feira, 6 de abril de 2009
A CASA NO CÉU
Num certo país existia um homem muito rico. Era muito religioso, cumpridor do mandamento da Igreja: “Ir à missa todos os domingos e festas de guarda”. Diariamente repetia algumas orações. As pessoas o respeitavam, mas não gostavam dele por ser muito sovina e egoísta. Um dia ele morreu e foi recebido por um anjo no território da vida eterna. O anjo o conduziu por várias alamedas, mostrando as moradas dos bem-aventurados. Apareceu uma impressionante mansão com belos jardins. O homem perguntou:
– Quem mora aí?
O anjo respondeu:
– É o Raimundo, aquele seu motorista que morreu no ano passado. O homem ficou pensando:
– Puxa! O Raimundo tem uma casa dessas! Aqui deve ser muito bom!
Logo a seguir, apareceu uma casa ainda mais bonita, com piscina e tudo!
– E aqui, quem mora? – perguntou o homem.
O anjo respondeu:
– Aqui é a casa da Rosalina, aquela que foi sua cozinheira.
O homem ficou imaginando que, tendo seus empregados essas magníficas residências, a sua morada devia ser, no mínimo, um castelo. Estava ansioso por vê-la. Aí o anjo parou diante de um barraco construído com tábuas meio podres e disse:
– Esta é a sua casa!
O homem ficou indignado. Como era possível!
– Vocês não sabem construir casas melhores?
– Sabemos, respondeu o anjo, mas nós só construímos com o material que vocês selecionam e enviam lá de baixo: você só enviou isso!
Que tipo de material estamos enviando para construir nossa casa na vida eterna? Cada gesto fraterno, cada atitude honesta, cada ato de consolo aos aflitos, cada atitude solidária, são tijolos e acabamento de primeira qualidade para a nossa casa. E tudo isso se decide por aqui mesmo, nas escolhas e atitudes de cada dia.
sábado, 4 de abril de 2009
PEGADAS DE DEUS
– Como você sabe que existe Deus, um Ser supremo, que criou todas as coisas?
Após meditar um pouco, o outro respondeu:
– Como posso saber se foi um homem ou um camelo que rodeou a minha casa, enquanto eu estava dormindo?
– Você sabe pelas pegadas
– replicou o companheiro.
– É este o meu modo de conhecer a Deus, respondeu o humilde homem do deserto. Eu o conheço pelas suas pegadas.
E continuou:
– Os sinais de Deus estão por toda parte. Abra os olhos e você verá evidências do seu poder, do seu amor, da sua misericórdia e do cuidado com seus filhos e filhas. O próprio funcionamento de nosso corpo atesta algo maravilhoso que está além da nossa compreensão. É uma prova de sua presença e de que somos criados por Ele. Assim, pela vivência da nossa fé veremos a presença de Deus nos fatos e acontecimentos, na natureza... Veremos Deus na vida.
sexta-feira, 3 de abril de 2009
PERDENDO A PAIXÃO INICIAL
Certo dia um dono de uma loja em um shopping, preocupado com a baixa venda em seu estabelecimento, procurou um velho lojista no centro da cidade, conhecido pela sua gentileza e sabedoria, e disse-lhe desanimado:
- Senhor, nunca vi uma crise como esta. O pessoal vê, pergunta o preço, mas comprar, que é bom, nada!
O sábio senhor respondeu:
- A crise de hoje é maior do que a do dia em que você abriu sua loja? Garanto que você não tinha nenhum cliente e o compromisso de pagar a loja inteira. Mas como era você? Garanto que ficava na porta sorrindo para quem passava. Convidava as pessoas para entrar. Acompanhava os clientes até a porta, carregando o pacote deles. Garanto que você ficou esperando o telefone tocar, imaginando se era algum cliente, mesmo sabendo que ninguém tinha seu número de telefone. Você foi até a administração oferecendo-se para trabalhar na associação dos lojistas para animar o shopping, fazer um natal diferente, campanhas novas etc. Hoje, como é? O telefone toca e você grita: Alguém atenda! Os clientes querem falar com você e você se esconde! A associação dos lojistas chamou para uma reunião sobre o dia das mães. Você foi? Ah! Meu nobre colega, e você agora vêm falar de crise.
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ABRIR A JANELA
Um homem, triste e solitário, deixava a cidade, dirigindo-se a uma montanha próxima. Ao subir uma boa parte da montanha, encontrou-se com um lenhador que, ao perceber a melancolia do caminhante, perguntou: - O que tens, amigo? Por que estás triste?
O homem respondeu:
- Sinto-me só. Penso que Deus não olha para mim. Além do mais, são tantas as pessoas no mundo e imagino que Deus nem perceba que eu existo!
O lenhador, ao ouvir isso, respondeu cheio de afeto e compreensão:
- Eu passo todo o dia aqui sozinho trabalhando, mas não me sinto só, pois Deus está comigo e me acompanha sempre.
O lenhador, então, apontando para a cidade que se avistava da montanha, acrescentou:
- Vês aquelas casas? Todas têm suas janelas. O sol é um só, mas entra com seus raios em todas as casas que deixam as janelas abertas. Compreendes agora?
O homem, entendendo a mensagem, teve seu rosto transfigurado, desceu da montanha pulando de alegria e, apressadamente, foi até sua casa para descerrar todas as portas e janelas à luz do grande sol. Ele compreendeu que, assim como o sol, Deus envia seus raios de luz a todas as pessoas que abrem a janela de seus corações à graça divina.
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O PRESENTE
Certa vez um missionário deu de presente a um grupo de índios o seu relógio. Qual não foi sua surpresa quando viu que o objeto tinha sido colocado numa árvore, cheia de outros enfeites, e era muito admirado quando brilhava ao sol. Deu risada, achou aquilo tudo um atraso e voltou para casa pensando: “Esta gente não entende nada direito. Isso é lugar para um relógio?”. Na parede de seu quarto estavam pendurados como enfeites flechas e tacapes que tinha recebido de seus índios. Nunca lhe ocorreu que os índios poderiam lhe perguntar espantados: “Isso lá é uso que se dê para nossas armas de caça?”. Nós muitas vezes somos apressados em julgar pelos nossos hábitos, os costumes, as crenças dos outros. O encontro entre povos e religiões tem sido marcado por muitos preconceitos ao longo da história: o diferente foi considerado errado, atrasado, inconcebível. Na sociedade em geral acontece o mesmo: preconceitos entre classes sociais, racismo, machismo etc. Com tudo isso, perdemos oportunidades de estreitar laços de amizade, fraternidade e solidariedade.
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ORAÇÃO DE MÃE
Numa pequena cidade do interior da Itália, todos os domingos uma mãe ia à missa com seus filhos. Com o início da Segunda Guerra Mundial, os jovens foram convocados a defender o País.
O filho mais velho foi chamado, deixando-a muito aflita.
Como ela era devota de Nossa Senhora e todos os dias rezava o terço, entregou ao filho o seu rosário. Ele retrucou:
– Eu não vou usar isso. Nem sei rezar o terço!
– Não se preocupe, meu filho. A partir de hoje eu vou rezar o terço todos os dias por você, tenha-o sempre por perto e ele será sua verdadeira arma.
Para não deixar sua mãe mais preocupada, ele guardou o terço. No front, quando iniciou a batalha, ele foi ferido e constataram sua morte. Ao término daquela batalha, os corpos foram recolhidos e enterrados em valas. Ao ser jogado na vala, caiu de seu bolso o terço dado por sua mãe e, por ser católico, resolveram enterrá-lo numa cova separada. Quando o separaram dos outros cadáveres, perceberam que ainda estava vivo e o levaram para a enfermaria.
Já a salvo, um soldado que recolhia os corpos e os enterrava, entregou-lhe o terço e contou para ele que se não fosse por isso ele estaria enterrado na vala.Emocionado, ele disse:
– A primeira coisa que vou fazer ao voltar é aprender a rezar o terço, e este aqui ficará sempre comigo.
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A GRANDE OLIMPÍADA
Há alguns anos, nas olimpíadas especiais de Seattle, Estados Unidos, nove participantes, todos portadores de deficiência mental ou física, alinharam-se para o início da corrida de 100 metros rasos. Ao sinal da largada, os atletas partiram, não exatamente em disparada, mas com vontade de dar o melhor de si e alcançar o objetivo: terminar e ganhar a corrida. Entretanto, nesse momento, um dos participantes sofreu uma queda e, sentindo muita dor, começou a chorar. Os demais participantes ouviram o choro, diminuíram os passos, olharam para trás e voltaram ao início. Uma das meninas, com síndrome de Down, ajoelhou-se, deu um beijo no jovem e disse: Pronto, agora vai sarar. Em seguida, os nove competidores deram-se os braços e andaram juntos até a linha de chegada. O estádio inteiro levantou e aplaudiu durante vários minutos. As pessoas que estavam ali, naquele dia, continuam repetindo essa história até hoje como exemplo de solidariedade e de luta pela inclusão de todos os que sofrem discriminação por serem portadores de alguma deficiência.
Nesta vida o importante é ajudar os outros a vencer, mesmo que isso signifique diminuir o passo ou mudar de rumo.
Nesta vida o importante é ajudar os outros a vencer, mesmo que isso signifique diminuir o passo ou mudar de rumo.
Onde e quando somos convocados para sermos solidários? E que ensinamentos podemos tirar desta pequena historia para nossa família, para nossa comunidade e em nosso trabalho na luta contra as várias formas de violência?
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