Num certo país existia um homem muito rico. Era muito religioso, cumpridor do mandamento da Igreja: “Ir à missa todos os domingos e festas de guarda”. Diariamente repetia algumas orações. As pessoas o respeitavam, mas não gostavam dele por ser muito sovina e egoísta. Um dia ele morreu e foi recebido por um anjo no território da vida eterna. O anjo o conduziu por várias alamedas, mostrando as moradas dos bem-aventurados. Apareceu uma impressionante mansão com belos jardins. O homem perguntou:
– Quem mora aí?
O anjo respondeu:
– É o Raimundo, aquele seu motorista que morreu no ano passado. O homem ficou pensando:
– Puxa! O Raimundo tem uma casa dessas! Aqui deve ser muito bom!
Logo a seguir, apareceu uma casa ainda mais bonita, com piscina e tudo!
– E aqui, quem mora? – perguntou o homem.
O anjo respondeu:
– Aqui é a casa da Rosalina, aquela que foi sua cozinheira.
O homem ficou imaginando que, tendo seus empregados essas magníficas residências, a sua morada devia ser, no mínimo, um castelo. Estava ansioso por vê-la. Aí o anjo parou diante de um barraco construído com tábuas meio podres e disse:
– Esta é a sua casa!
O homem ficou indignado. Como era possível!
– Vocês não sabem construir casas melhores?
– Sabemos, respondeu o anjo, mas nós só construímos com o material que vocês selecionam e enviam lá de baixo: você só enviou isso!
Que tipo de material estamos enviando para construir nossa casa na vida eterna? Cada gesto fraterno, cada atitude honesta, cada ato de consolo aos aflitos, cada atitude solidária, são tijolos e acabamento de primeira qualidade para a nossa casa. E tudo isso se decide por aqui mesmo, nas escolhas e atitudes de cada dia.
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