quinta-feira, 23 de abril de 2009

O VIAJANTE

Um homem, tendo que fazer uma longa viagem, preparou-se como melhor convinha. Teria um longo caminho pela frente, quase dez anos, e, durante esse tempo, enfrentaria muito sol, muita chuva, muito frio, enfim, inúmeros obstáculos. Nada disto, porém, poderia detê-lo. Para sua caminhada, preparou o que julgava necessário. E tudo era novo. Pensou em seu destino e em tudo de valor que acreditava possuir. Abriu sua mochila e nela colocou calçado, roupa, chapéu, achando que, se não os usasse no dia-a-dia, ao final, teria tudo ao seu dispor quando quisesse. Colocou-a nas costas e partiu. Ao longo da viagem, depois de passar por várias trilhas, viu-se cansado e não pôde mais continuar. Estava exausto. O peso nas costas, com seu tesouro, já lhe era insuportável. Seus pés estavam rachados e sangrando, sentia o corpo surrado e frágil, a cabeça ferida e o pensamento sem direção. Olhou para os pés e para o calçado. O sapato continuava novo, mas seus pés, acabados. Tomou sua roupa nova e tocou o seu corpo velho e dolorido. Levantou o chapéu, novo, e tentou colocá-lo na cabeça inchada.Faltava muito para chegar ao topo, e tudo o que possuía – novo e sem uso –, tal como preservou, de nada lhe servia agora. Pensou em abandonar tudo. Já havia abandonado no princípio. Em silêncio e pela primeira vez, concluiu que, se tivesse calçado o antigo sapato, este estaria velho, mas os pés, apenas doloridos. Se tivesse se vestido, sua roupa estaria rota, mas seu corpo não estaria cansado e sujo. Se tivesse usado o seu chapéu, ele estaria com suas abas caídas, mas sa cabeça não estaria estourando de dor. Refletiu e reconheceu que ali estavam os seus verdadeiros amigos, para servi-lo a todo instante, porém, tentando somente preservá-los, não permitiu que eles participassem de sua vida. Por isso, lembre-se: seus amigos não querem estar somente em uma mochila – como o calçado, a roupa, o chapéu – como um fardo. Querem é estar com você em toda a sua jornada, mesmo que cheguem desgastados, sujos, cansados, porém certos de que, de algum modo, aliviaram a sua dor, seu sacrifício, participaram de sua alegria e chegaram ao fim com você.
Mensagem retirado do site http://www.pallotti.com.br/rainha

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